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domingo, 12 de setembro de 2010

O Poder da Desculpa



Perdão de culpa ou ofensa. Alegação atenuante ou justificativa de culpa, ofensa, descuido. Escusa, pretexto. É desse modo que o dicionário Priberam define a palavra "desculpa". Creio até que os significados estejam certos, mas não há como definir num dicionário ou mesmo em um post o poder desta pequena palavra de 3 sílabas e 8 letras.
Quando usamos a palavra "desculpa"? Usamos, por exemplo, quando trombamos com um desconhecido na rua. Você não o viu, ele não te viu e aconteceu: "Desculpa" diz um dos dois, ou você ou ele. Mas essa é uma utilização banal da palavra, nos últimos tempos as palavras tem perdido seus poderes e significados mais profundos, e eu também (como um mero mortal) acabo desvalorizando as palavras, e uma delas é a "desculpa".
Existem coisas que nem precisam de desculpa, ou de seu primo bem parecido com ela, o "perdão". Só pelo ocorrido e pela reação dos envolvidos, eles, só com seus gestos, já pedem muitas "desculpa" e perdão" também. No entanto, o inverso também ocorre: existem coisas que precisam de muitas "desculpa" e "perdão", porque a pessoa "fez muita merda". No caso, falo, neste post, do 2º tipo: o de que as "desculpa" são necessárias. Não é de uma forma geral, não é generalizando para que todos usem, se quiserem podem usar, mas não é esse o meu objetivo. Este post é para uma pessoa em particular, uma garota, para ser mais exato. Quem me conhece e conhece o ocorrido já sabe de quem eu falo, então não é necessário dizer quem para ninguém, pois quem tem que saber já sabe, e espero que, caso um dia essa garota leia este post, saiba que é com ela que estou falando.
Eu me considero um cara muito pacífico, muito generoso e que ajudo muito a todos que me pedem ajuda, até onde eu sei, nunca fiz filha-da-putice com ninguém se essa pessoa não me fez nada (e creio que, mesmo se me fizesse alguma coisa, não faria filha-da-putice). No entanto, quando fazem algo para mim que acaba me ferindo, eu acabo ficando um pouco sentido, mas passa. Só que no caso dessa "garota anônima", ela feriu bem no órgão localizado na caixa torácica, levemente inclinado para esquerda e para baixo (mediastino médio), sendo constituído por uma massa contráctil, o miocárdio, revestido interiormente por uma membrana fina, o endocárdio, é envolvido por um saco fibro-seroso, o pericárdio. Sim, meus caros, falo do coração.
Essa garota já foi uma grande amiga minha, alguém que eu defendia e respeitava, e colocaria a mão no fogo por ela há tempos atrás. No entanto, repentinamente, ela cortou nossos laços e sem me dizer o por que do corte, pois se ela me explicasse, talvez eu entendesse o porque da situação atual.
Mas parece que, para ela, não bastava não nos falarmos, não bastava esse corte. Ela teria que pisar e massacrar para ter certeza que nada restaria de nossa amizade. E ela conseguiu: deu um pisão muito forte, e eu nem acreditei no pisão a princípio, que a propósito, feriu o coração fortemente. Mas dizia a lenda que ela usaria o poder das palavras para desfazer a "cagada" feita, pois estava arrependida. No entanto, paciência tem limite, como todos sabemos, e a minha durou só até um tempo (aliás, um bom tempo), e com isso, o tempo dela usar esse poder passou, e partir dai, nossos laços ficaram muito mais finos e muito mais longos. Ficamos sem nos falar e sem olhar no rosto um do outro (eu queria assim porque me magoei muito com o ocorrido), e é essa a situação que estamos hoje. No entanto, nesse ano, ela pisou muito mais fortemente no que restava dos nossos laços, e quando soube dessa pisão, juro a você, mundo, eu tive vontade de matá-la, algo que nunca tive vontade de fazer com ninguém, ainda mais alguém que um dia fora da minha turma.
Tenho raiva dela. Tenho ódio dela. A desprezo e não desejo nada para ela, nem bom nem mau. No entanto, ela, um dia que acabamos nos encontrando, agiu como se nada tivesse acontecido, o que me irritou ainda mais, e minha mente ordenou rapidamente ao meu corpo para se afastar, porque senão meu corpo poderia fechar um punho e desferi-lo sobre ela (coisa que não me agradaria nem um pouco).
Eu me considero um cara muito pacífico, muito generoso e que ajudo muito a todos que me pedem ajuda, e parece que minha natureza, apesar de todos os pisões, não muda. Por mais que eu queria não ter mais nenhum laço com ela novamente, sinto que, bem no fundo do meu coração, ainda há um único laço, invisível a olho nu, longo e fino o suficiente para não ser notado, que me une ao coração dela, e esse é um laço que ela não despedaçará com facilidade. Por mais que ela tenha sido filha da puta e que eu a odeie, sinto como se eu não a odiasse totalmente. O estrago está feito, mas pode ser reparado. A iniciativa deve ser dela, e se ela não sabe como começar, eu digo, caso ela esteja lendo: comece utilizando um poder pouco utilizado nos dias de hoje, porém muito poderoso, que pode unir corações e reparar laços pisados. Esse poder está numa pequena palavra de 3 sílabas e 8 letras: Desculpa

2 comentários:

  1. Pois é, mais uma palavra que é usada a todo e qualquer momento, até mesmo quando não é necessário.
    Tenho um amigo que constantemente faz algo errado, comigo e com outras pessoas, e depois, adivinha?! “Desculpa”. O ruim de tudo isso, é que certas pessoas não percebem que muitas vezes só se desculpar não é o bastante, e ainda acham que só por terem feito já fizeram a sua parte...


    Abraço!

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  2. Comentário tardio o meu, sei disso. Contudo, essa palavra realmente só tem significado quando é exrpressada com veracidade. Para tanto, são necessárias duas coisas: o reconhecimento do erro cometido e a coragem de pedir perdão. A pessoa em questão não possui coragem suficiente para nada do tipo. E quanto à banalização da palavra "desculpa", ela é só mais uma entre tantas. Uma outra por exemplo, é a palavra "amor". Só resta ter amor no coração, e coragem para pedir desculpas quando for necessário.

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